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Este artigo integra a série “Compreender a Gestão na Prática” da CCDM, uma coleção de textos curtos que propõem uma visão clara e objetiva sobre a forma de compreender a gestão no dia a dia.
Não se foca em dados técnicos, siglas ou fórmulas, mas em perspetivas racionais e reais sobre o que efetivamente acontece nas empresas.
O objetivo não é formular teoria, é ajudar a ver e a entender, com clareza, a prática.
O VERDADEIRO VALOR DE UM CONSULTOR
Tese Central
O verdadeiro valor de um consultor não está apenas no que sabe,
mas na forma como compreende, processa e ajuda a transformar a realidade.
Artigo Completo
Há uma ideia muito enraizada de que o valor de um consultor está no que sabe. Na sua formação, nos métodos que domina, nas ferramentas que aplica. No fundo, a ideia de que o consultor tem de ser, acima de tudo, um bom técnico.
E é verdade que o conhecimento técnico é essencial. Sem ele, não há base sólida, nem rigor, nem segurança nas decisões.
Mas o verdadeiro valor de um consultor vai além disso. Está na capacidade de ler a realidade, interpretar contextos e transformar limitações em soluções práticas, possíveis e sustentáveis.
O potencial vem do contributo de alguém capaz de trabalhar sobre a realidade concreta do negócio, criando modelos de solução a partir do cenário real — não apenas aplicando receitas genéricas ou pré-concebidas. Alguém que compreende, amplia o debate e alarga o leque de possibilidades, porque acrescenta ideias reais, sugere formas de execução prática e prevê consequências.
E isso é o resultado da combinação entre conhecimento, capacidade, experiência e foco.
O conhecimento adquire-se. Está em livros, cursos, ficheiros e motores de busca. A capacidade e a experiência, pelo contrário, não se compram nem se transferem. Podem ser treinadas, desenvolvidas, aperfeiçoadas — mas nascem da forma como se pensa, se compreende e se interpreta o que está à frente.
Um bom consultor não é quem “sabe de tudo” — é quem é capaz de compreender tudo o que for preciso compreender. Capaz de adquirir qualquer conhecimento em tempo útil, de o traduzir para o contexto real e de perceber o que é que, naquele momento, realmente importa. Essa é a diferença entre ver e compreender, entre ler dados e ler realidades, entre tomar decisões e gerar soluções.
No fundo, o consultor não vale pelo que traz de fora, mas pelo que consegue compreender, interpretar e despertar por dentro. Mais do que ensinar, ajuda a pensar. Mais do que indicar caminhos, ajuda a encontrá-los.
Por isso, o valor não está apenas na teoria nem na linguagem técnica — está na clareza aplicada, no processamento em contexto e na capacidade de transformar complexidade em solução.
Porque, no fim, nenhum negócio se constrói sozinho. Mas o verdadeiro valor do consultor não está em falar — está em ouvir, compreender e interpretar, para poder partilhar, acrescentar e ajudar a construir melhor.
Em:
18 de setembro de 2025
Por:
Francisco Centeno de Mendonça
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