top of page

Biblioteca de Artigos

Este artigo integra a série “Compreender a Gestão na Prática” da CCDM, uma coleção de textos curtos que propõem uma visão clara e objetiva sobre a forma de compreender a gestão no dia a dia.
Não se foca em dados técnicos, siglas ou fórmulas, mas em perspetivas racionais e reais sobre o que efetivamente acontece nas empresas.
O objetivo não é formular teoria, é ajudar a ver e a entender, com clareza, a prática.

O CUSTO INVISÍVEL DA POUPANÇA

Tese Central

O custo invisível da poupança nasce da desproporção entre o valor da decisão e o impacto real que ela gera — sobretudo nas pequenas decisões, onde a ponderação é menor e o foco está apenas no ganho imediato.

Artigo Completo

A poupança é uma virtude da boa gestão. Todos os gestores vivem diariamente com essa exigência — controlar custos, otimizar recursos, eliminar desperdícios.
Ao mesmo tempo, são confrontados com inúmeras decisões diárias, muitas das quais são pequenas escolhas, de valor reduzido, decididas em segundos — e bem — porque seria impossível gerir uma empresa se cada decisão, por mínima que fosse, exigisse uma análise profunda e demorada.

O ponto crítico é que, no meio dessas decisões rápidas e aparentemente inofensivas, há algumas que têm o poder de afetar muito mais do que o pequeno valor que representam.

Em teoria, toda a decisão de poupança tem uma contrapartida previsível: o que se poupa de um lado, perde-se do outro, de forma normalmente equivalente ao valor efectivo da poupança.

Na prática empresarial, esse equilíbrio nem sempre é linear porque mesmo uma poupança insignificante pode, noutro ponto do sistema, gerar uma perda real de dimensão totalmente desproporcional.

Este fenómeno manifesta-se, em particular, quando decisões de valor reduzido interferem com fatores intangíveis do sistema — como o clima emocional, as relações interpessoais ou a fluidez operacional —, gerando consequências desproporcionais face ao valor da decisão.

Acontece, por isso, que o gestor dedica à decisão uma atenção proporcional ao seu valor, partindo do pressuposto automático de que o impacto se limita a esse mesmo valor — mas nem sempre é assim - o que parece pequeno num plano pode gerar, noutro, um efeito muito maior e totalmente desproporcional.

Este é o verdadeiro significado do custo invisível da poupança: não a perda correspondente ao valor poupado, que resulta naturalmente da decisão de prescindir do bem ou serviço em causa, mas a perda adicional, de natureza intangível, que surge como efeito colateral e que não pode ser revertida ou compensada com o valor economizado.

Uma poupança de poucas dezenas de euros que provoque insatisfação num colaborador e acabe por conduzir à sua saída terá, inevitavelmente, um custo muito superior — e não pode ser revertida ou compensada com o valor poupado.
O mesmo se aplica a decisões de valor igualmente reduzido que, indirectamente, possam originar o afastamento de clientes, parceiros ou fornecedores, entre outros.

O conceito pode parecer evidente, mas a realidade demonstra o contrário: perante a pressão, o volume de decisões e a falta de tempo, este fenómeno é mais frequente do que se imagina — e tem impacto real na performance e na estabilidade das organizações.

Nem todas as poupanças que têm potencial impacto no sistema estão erradas. Algumas são necessárias e até vitais.
Mas, para decidir com segurança, é preciso ajustar o critério: o tempo e a profundidade dedicados pelo gestor à análise de uma decisão de poupança não devem corresponder ao valor efectivo da poupança, mas à perda de valor que essa decisão pode, potencialmente, gerar - o custo invisível.

No contexto empresarial atual — marcado pela urgência, pela multiplicidade de solicitações e pela escassez de tempo —, o custo invisível da poupança pode ser particularmente difícil de gerir, porque é subtil, difuso e diferido no tempo. Mas é real. E ignorá-lo é abrir espaço para o paradoxo mais comum da gestão moderna: ver nascer grandes prejuízos a partir de um conjunto de pequenas decisões que, no contexto em que foram tomadas, estavam certas.

Em:

12 de setembro de 2025

Por:

Francisco Centeno de Mendonça

DISCLAIMER:
Conteúdo original do autor e da CCDM, fruto de raciocínio e pensamento humano.
Qualquer intervenção de inteligência artificial pode ter ocorrido apenas como apoio técnico — estrutural ou linguístico —, nunca como origem de ideias, lógica, exemplos, raciocínio ou deduções.
Partilha livre com referência à CCDM; uso comercial carece de autorização.

bottom of page