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Este artigo integra a série “Compreender a Gestão na Prática” da CCDM, uma coleção de textos curtos que propõem uma visão clara e objetiva sobre a forma de compreender a gestão no dia a dia.
Não se foca em dados técnicos, siglas ou fórmulas, mas em perspetivas racionais e reais sobre o que efetivamente acontece nas empresas.
O objetivo não é formular teoria, é ajudar a ver e a entender, com clareza, a prática.
O BENEFÍCIO ESCONDIDO (MAS VALIOSO)
QUE O CONSULTOR TRAZ AO GESTOR
Tese Central
O verdadeiro benefício de ter um consultor não está apenas no conhecimento técnico, na experiência ou no método — está na possibilidade de pensar e decidir acompanhado. Essa presença partilhada reduz o isolamento, aumenta a lucidez e devolve ao gestor a segurança necessária para decidir com convicção, clareza e tranquilidade.
Artigo Completo
Quando se contrata um consultor, espera-se que traga conhecimento técnico, experiência e método — e traz. Mas há um outro ganho real, talvez ainda mais valioso, que raramente se imagina antes de viver essa realidade. É sobre esse que vale a pena refletir: a possibilidade de pensar e decidir acompanhado.
Pode parecer pouco relevante, especialmente para quem não está nessa posição, mas o isolamento no raciocínio e na decisão é talvez a pior realidade que o gestor enfrenta no dia a dia. Não apenas porque as decisões em si condicionam diretamente a performance e o progresso da empresa, mas — acima de tudo — porque a dúvida e a incerteza do processo consomem o tempo, a disponibilidade, a saúde e a qualidade de vida do próprio gestor.
As grandes decisões são raras, mas as pequenas são diárias. E, no fundo, não se trata apenas do que se decide, mas da segurança com que se decide. Porque ser responsável e decidir sem segurança é um paradoxo que compromete o progresso e a tranquilidade.
Mas a segurança não nasce apenas da decisão em si, nem da confirmação obtida junto de quem vive dentro da mesma realidade e das mesmas pressões. Nasce da certeza de que o raciocínio não está condicionado pelo contexto e de que todas as opções foram devidamente ponderadas. Da convicção de que outra pessoa — igualmente válida, mas externa ao contexto — faria a mesma avaliação e chegaria à mesma decisão.
Sem esta convicção, o raciocínio não se liberta, porque o ciclo não se fecha. Mesmo após a decisão, fica sempre a dúvida, a incerteza e a necessidade de tomar a próxima decisão sem base sólida no que está para trás. Essa realidade consome tempo, energia e, verdadeiramente, desgasta quem lidera.
É precisamente aqui que o consultor oferece o seu benefício mais escondido: permite partilhar o raciocínio e o peso da responsabilidade com alguém que, não estando sujeito às mesmas condicionantes, observa o mesmo cenário, compreende a relevância de cada decisão e raciocina com o mesmo foco e empenho.
Não substitui — amplia. Acrescenta visão não condicionada, estrutura, debate e validação. Analisa opções, testa hipóteses, mede riscos e valida soluções.
Este processo não apenas melhora a qualidade das decisões, como aumenta a convicção com que são tomadas.
Porque o consultor vale pelo conhecimento, pelo método e pela experiência — mas o verdadeiro benefício está na segurança e na tranquilidade de quem sabe que reduziu ao mínimo as possibilidades de erro, previu as consequências e decidiu tão bem quanto seria possível alguém decidir no seu lugar.
Um benefício escondido que muda tudo — na empresa e no gestor.
Em:
30 de setembro de 2025
Por:
Francisco Centeno de Mendonça
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