Biblioteca de Artigos

Este artigo integra a série “Compreender a Gestão na Prática” da CCDM, uma coleção de textos curtos que propõem uma visão clara e objetiva sobre a forma de compreender a gestão no dia a dia.
Não se foca em dados técnicos, siglas ou fórmulas, mas em perspetivas racionais e reais sobre o que efetivamente acontece nas empresas.
O objetivo não é formular teoria, é ajudar a ver e a entender, com clareza, a prática.
A LÓGICA SIMPLES DO BALANÇO
Tese Central
O balanço não é apenas um documento técnico — é, na verdade, a forma mais simples de ver a realidade financeira. Mostra, num só quadro lógico, tudo o que temos e de onde veio cada valor. No fundo, traduz o raciocínio que qualquer pessoa faz naturalmente: o que tenho, quanto devo e quanto é realmente meu.
Artigo Completo
Muitas pessoas olham para o balanço como algo técnico, feito por contabilistas para cumprir obrigações legais — e é verdade. Mas, na realidade, o balanço traduz exatamente o raciocínio que qualquer pessoa faz mentalmente quando pensa no seu património: o que tem, quanto deve e quanto é realmente seu.
Existem regras e orientações contabilísticas que definem tecnicamente como se constrói um balanço. Mas esta abordagem é de outra natureza: procura compreender a lógica que está por detrás — e essa lógica é essencial, porque o balanço não serve apenas para cumprir uma obrigação; serve para compreender a realidade, seja no contexto de uma empresa ou da própria vida financeira.
Formalmente, o balanço tem duas colunas: do lado esquerdo, o Ativo; do lado direito (subdividido em duas partes), o Passivo e o Capital Próprio. E não é por acaso que a divisão é feita assim. O Ativo representa tudo o que possuímos — dinheiro, bens, investimentos, direitos. Mas tudo o que temos teve uma origem, e é isso que o outro lado mostra: a forma como foi pago, sendo que só existem duas possibilidades — com dinheiro nosso ou com dinheiro emprestado.
A leitura é simples: listamos tudo o que temos no Ativo e perguntamos, para cada item, de onde veio o dinheiro com que foi pago. Se foi dinheiro nosso, entra em Capital Próprio; se foi emprestado, entra em Passivo. Quando é uma parte de cada, separa-se na correcta proporção.
Surge então a dúvida: se o dinheiro já foi gasto num bem, como é que se coloca esse valor no Capital Próprio? A confusão vem da expressão “capital próprio”, que parece significar “capital que ainda é nosso em dinheiro”. Mas o que essa secção mostra não é onde está o dinheiro, e sim de quem é o capital — esteja ele em dinheiro ou aplicado num bem. No Ativo registamos o que temos; no Capital Próprio registamos que o valor investido nesse bem veio do nosso dinheiro, e não de empréstimos.
É aqui que o balanço revela a sua lógica mais simples: não mostra transações, mostra a fotografia do resultado — de onde veio o dinheiro e onde está aplicado. Por isso, compreender um balanço é perceber simultaneamente o que temos, o que devemos e o que é verdadeiramente nosso.
A utilidade prática é imediata. Tal como quem tem crédito à habitação sabe o valor da casa (Ativo), a parte que já é sua (Capital Próprio) e a parte que ainda deve ao banco (Passivo), o balanço permite a mesma perceção em relação à totalidade do que se possui. É verdade que cada prestação altera esse equilíbrio — mas o balanço é apenas a fotografia da realidade num momento concreto. Quando algo muda, basta “tirar outra fotografia” para ver a nova proporção entre o que é nosso e o que ainda devemos a terceiros.
Quanto maior a estrutura, mais extenso e detalhado será o balanço. Mas essa complexidade resulta apenas da quantidade de itens e das suas subcategorias dentro de cada secção. A lógica simples é sempre a mesma — e compreendê-la permite ler, interpretar e raciocinar sobre qualquer balanço com clareza. Acima de tudo, com a verdadeira perceção da realidade tal como ela é.
Em:
25 de setembro de 2025
Por:
Francisco Centeno de Mendonça
DISCLAIMER:
Conteúdo original do autor e da CCDM, fruto de raciocínio e pensamento humano.
Qualquer intervenção de inteligência artificial pode ter ocorrido apenas como apoio técnico — estrutural ou linguístico —, nunca como origem de ideias, lógica, exemplos, raciocínio ou deduções.
Partilha livre com referência à CCDM; uso comercial carece de autorização.
